Será
lançado nesta terça-feira (8), às 19h, no Salão Nobre da Câmara dos
Deputados, o perfil parlamentar do senador Artur Virgílio Filho, de autoria do
jornalista Mário Adolfo, diretor de redação do EM TEMPO.
Com
374 páginas, o livro traz um ensaio biográfico sobre Arthur Virgílio Filho,
além dos principais discursos proferidos por ele durante os mandatos na Câmara
dos Deputados e no Senado Federal.
Pai
do prefeito Arthur Virgílio Neto, Arthur Virgílio Filho foi deputado da
Assembleia Constituinte do Amazonas pelo Partido Social Democrático (PSD) e,
pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), elegeu-se deputado federal em 1958 e
senador em 1962. Com a extinção dos partidos políticos, pelo Ato Institucional
nº 2, e com a implantação do bipartidarismo, o então parlamentar filiou-se ao
Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Uma
de suas principais atuações como deputado foi pela criação da Universidade
Federal do Amazonas (Ufam). Durante a ditadura militar, destacou-se na defesa
do processo democrático e da justiça social. Cassado em 1969, pelo Ato
Institucional nº 5, teve seus direitos políticos suspensos por dez anos, até a
anistia em 1979.
Resistência
De
acordo com Mário Adolfo, o então senador Arthur Virgílio Neto o chamou a
Brasília em 1996 e, para sua surpresa, disse que o havia escolhido para
escrever a história política do “velho” Arthur. Mário havia conhecido o pai bem
antes do filho, durante um pedido de apoio para uma greve na empresa Sharp do
Brasil, encabeçada pelo amigo Simão Pessôa, em 1977.
—
Éramos estudantes universitários e, a partir daquele momento, passamos a
frequentar o apartamento do senador cassado, que ficava no 1º andar do edifício
David Novoa, na avenida Sete de Setembro. Passávamos horas sentados no tapete
da sala tomando cerveja e ouvindo o “tio Arthur”, como o chamávamos, contando
os episódios de sua atuação parlamentar, com riqueza de detalhes. Talvez essa
proximidade tenha feito Arthur Net fazer o convite para escrever o livro.
O
jornalista conta que durante mais de dois anos de pesquisa, se emocionou várias
vezes com a história do ex-líder do Governo João Goulart (PTB) no senado. Um
desses momentos aconteceu em plena ditadura militar, quando o
senador reagiu ao golpe de 1964, proferindo o célebre discurso que gravaria
para sempre suas palavras na história do Brasil:
—
Que nos fechem hoje, mas com o povo que n os assiste ao nosso lado; e não nos
fechem amanhã, ingloriamente, com os aplausos do povo brasileiro, como
aconteceu em 1937 – bradou Arthur Virgílio da tribuna, enquanto os tanques
cercavam o senado. Apesar da resistência ao arbítrio, o bravo senador foi
cassado em 1969 pelo Ato Institucional nº 5, ficando com seus direitos
políticos suspensos por dez anos.
Trajetória
O
livro mostra a trajetória de Arthur Virgílio Filho, que, além da política, teve
como atividades principais a advocacia e o jornalismo. Em 1958, foi eleito
deputado federal e em 1962 tornou-se senador. Com a extinção dos partidos
políticos pelo Ato Institucional nº 2, e com a implantação do bipartidarismo,
filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Durante
o mandato parlamentar, trouxe às duas Casas do Congresso Nacional a discussão
de temas como a ditadura militar, a reforma agrária, a inflação, a perda da
hegemonia brasileira no mercado mundial da borracha, a criminalidade, a falta
de amparo ao trabalhador e a tentativa de destruição da Petrobras pelas Forças
Armadas. Cassado pelo Ato Institucional n° 5, o parlamentar teve seus direitos
suspensos por dez anos.
Em
1979, sob o Governo Figueiredo, foi beneficiado pela anistia e, no Governo
Sarney, exerceu a Presidência do INPS no período de 1985 a março de 1987.
Arthur
Virgílio Filho faleceu em 31 de março de 1987, no Rio de Janeiro, tendo sido
sepultado em Manaus.

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